O Fevereiro Roxo chama atenção para as doenças neurodegenerativas, e a pergunta que dá título ao artigo é a que o médico da rede básica ouve com mais frequência. No artigo da série “De Médico para Médico”, a Profa. Dra. Vilma Câmara trata a demência como síndrome decorrente de doença crônica progressiva, com perturbação de múltiplas funções cerebrais superiores — memória, atenção, orientação temporo-espacial, linguagem, cálculo e julgamento — sem obnubilação da consciência.
A resposta à pergunta do título começa por uma distinção clínica que o texto faz questão de marcar: nem toda demência é irreversível. Hipotireoidismo e carência de vitamina B12 produzem quadros reversíveis; a Doença de Alzheimer, não. Daí a importância do diagnóstico precoce, que a autora ancora na anamnese, no exame físico e neurológico, na avaliação do estado mental, na avaliação neuropsicológica e nos exames complementares.
O artigo relaciona os fatores de risco — idade, baixa escolaridade, ambiente, sexo feminino e presença de proteína Tau e ApoE4 no líquor — e os agravantes: má alimentação, sedentarismo, ambiente estressante, medicamentos inadequados e perdas graves. Percorre em seguida o diagnóstico diferencial entre as demências irreversíveis, com os sinais que distinguem a doença de Pick, a doença de corpos de Lewy, a demência vascular e a demência frontotemporal da Doença de Alzheimer, que se inicia com perda de memória recente e desorientação espacial.
Para a Profa. Dra. Vilma Câmara, a prevenção passa por atividade intelectual, controle de hipertensão, diabetes e hipercolesterolemia, atividade física regular, ausência de álcool, drogas e tabagismo, estimulação cognitiva e núcleo familiar estruturado. A demência não tem cura, mas pode ser vivida com qualidade — para o paciente e para o cuidador, o que faz do investimento em políticas de saúde desde a rede básica um desafio de saúde pública.
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